Quinta-feira, 20 de Setembro de 2018
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Artesã paraibana cria joias a partir de escamas de peixe

Publicada em 08/03/18 às 21:23h - 112 visualizações

por 1001 Noticias FM


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 (Foto: 1001 Noticias FM)

Neste dia 8 de março, quando comemora-se o Dia Internacional da Mulher, o Portal T5 homenageia todas as mulheres paraibanas com uma história belíssima de um trabalho que começou com materiais simples na Praia da Penha, em João Pessoa, e acabou ganhando a Paraíba, o Brasil e o mundo.

O projeto Sereias da Penha surgiu em 2014, a partir de um curso de biojoias promovido pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE-PB), pelo Instituto Federal da Paraíba (IFPB) e pela Prefeitura Municipal de João Pessoa. Foi um misto de aulas, workshops e trocas de experiência direcionado à comunidade da Praia da Penha e a outras ao redor, pertencentes ao Litoral Sul da capital.

Como a maioria das pessoas que fazem parte dessas comunidades se sustenta através da pesca, nada mais inspirador do que utilizar um material já conhecido da região para confeccionar produtos. Foi justamente essa a ideia do SEBRAE e do projeto Mil Mulheres, gerenciado pelo IFPB, que criou um curso de artesanato a partir das escamas de peixe.

Joseane Izidro com o estilista Ronaldo Fraga.
Joseane Izidro com o estilista Ronaldo Fraga.Foto: Arquivo/Joseane Izidro

O projeto Sereias da Penha teve um viés inovador pelo fato de capacitar e profissionalizar as mulheres, que são, em grande parte, esposas de pescadores, para que fosse possível gerar renda própria mais para frente. Para isso, a iniciativa contou com a parceria do conhecido estilista paraibano Ronaldo Fraga, o curador do projeto.

Uma das artesãs formadas pelo curso foi Joseane Izidro, que é natural da comunidade de Jacarapé, também no Litoral Sul de João Pessoa. Hoje ela é presidente da Associação e Artesãs Sereias da Penha, que existe apenas há dois anos, e explica como foi o início de tudo.

"Entrei no curso e gostei demais. Conheci as escamas, aprendi a limpá-las, moldá-las e aprendi a fazer peças com elas, colar tudo direitinho e colorir as escamas, além das conchas e sementes. Depois desse curso, na certificação, a gente ficou sabendo que teria uma oficina com o estilista Ronaldo Fraga. Aí a gente teve a primeira oficina com ele, onde ele apresentou os fios de cobre para ver o que nós conseguíamos fazer com eles. A gente conseguiu unir o cobre com a escama e ficou um trabalho lindo", com ela.

A questão também de andar de avião, estar em São Paulo na maior semana de moda do país… Foi aquela coisa maravilhosa.

Joseane Izidro, artesã do Sereias da Penha, sobre a São Paulo Fashion Week.
As artesãs do projeto Sereias da Penha no São Paulo Fashion Week, em abril de 2015.
As artesãs do projeto Sereias da Penha no São Paulo Fashion Week, em abril de 2015.Foto: Dayse Euzébio

Um dos maiores motivos de orgulho para as artesãs aconteceu quase um ano após a criação do projeto. Em abril de 2015, as peças produzidas por elas integrou o desfile de Ronaldo Fraga no São Paulo Fashion Week (SPFW), o maior evento de moda do país e um dos maiores do mundo. Para Joseane, essa data foi mais do que especial.

"Aí veio o São Paulo Fashion Week, e nós fomos pra lá para ver o desfile com as nossas peças que ele levou. Fomos todas nós artesãs, e foi uma emoção muito grande porque algumas nunca haviam nem saído da Paraíba para outros estados. A questão também de andar de avião, estar em São Paulo na maior semana de moda do país… Foi aquela coisa maravilhosa", descreve ela com certa emoção.

Apesar de todo o status que envolve o SPFW, a divulgação dentro do evento foi importante porque proporcionou uma grande visibilidade ao projeto, até por posicionar as artesãs dentro do mercado da moda nacional e internacional.

As artesãs do projeto no momento de trabalho.
As artesãs do projeto no momento de trabalho.Foto: Reprodução/PMJP

Atualmente elas têm atendido clientes de outros estados do Brasil e, inclusive, de outros países. Um exemplo do reconhecimento da iniciativa, como explica Joseane, foi um ensaio fotográfico de garis no Rio de Janeiro, promovido pelo Criativos.br, que solicitou peças do Sereias da Penha especificamente para que fossem feitas as imagens.

"Foi uma surpresa pra gente porque eles pediram as peças, e eu, por exemplo, fiquei apreensiva de eles não devolverem. Mas a gente resolveu mandar e nós não sabíamos o que ia acontecer. Quando chegou até nós foi aquele ensaio maravilhoso, porque aquelas pessoas nunca haviam feito nenhum serviço como modelo. Eles são garis lá do Rio, e foi tudo ótimo", revela a artesã.

Joseane Izidro é um dos exemplos da típica mulher paraibana e brasileira: batalhadora, forte, competente e poderosa. Ela se diz muito feliz com tudo que vem acontecendo, com o trabalho, a divulgação e a produção das Sereias da Penha. Porém, diz que não vai parar por aí.

"O projeto só tem a crescer e evoluir. Agora a gente descobriu uma técnica mais fácil para preparar o couro do peixe, então estamos tentando investir nisso. A gente já curte o couro do peixe na Praia da Penha, e agora estamos nos voltando para esse lado, para utilizar o couro do peixe em nossas biojoias", completa.




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