Segunda-feira, 25 de Junho de 2018
Tecnologia

Especialistas dizem que a “alergia a Wi-Fi” pode não ser real, mas os sintomas são

Publicada em 13/12/15 as 11:00h - 366 visualizações

por 1001 Noticias FM


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 (Foto: 1001 Noticias FM)

Jenny Fry tinha apenas 15 anos quando tirou a própria vida. Em um bilhete deixado por ela antes de ser encontrada pendurada em uma árvore próxima à sua casa, a menina escreveu: "sou insignificante, um pequeno ponto na existência do universo… Não posso ter esperança quando não consigo gostar de mais nada".

(Foto: Getty Images)

Jenny sentia um bizarro conjunto de sintomas, incluindo dores de cabeça, fadiga e problemas de bexiga. Sua mãe, Debra, alegou que este era o resultado de uma "alergia ao Wi-Fi": "Jenny e eu estávamos ficando doentes", conta ela ao The Mirror. "Após pesquisar um pouco, descobri os perigos do Wi-Fi e o removi da nossa casa… Jenny e eu melhoramos, mas Jenny continuou a se sentir mal na escola e em determinados lugares."

Jenny Fry (Foto: Facebook)

Em um mundo cada vez mais digital, a possibilidade de se ficar doente por causa dos campos magnéticos produzidos pelos computadores e até mesmo pelos roteadores sem fio é aterrorizante. A fonte deste pensamento não é um mistério: doses maiores dos mesmos tipos de campos (radiação) podem ter graves efeitos sobre o corpo.

Mas os médicos têm um nome diferente para a assim chamada "alergia a Wi-Fi": intolerância idiopática ambiental a campos eletromagnéticos. "Idiopático" é um termo médico que significa "de causa desconhecida". Por hora, algumas pessoas suspeitam que o culpado pode ser o Wi-Fi e outros campos magnéticos, mas décadas de pesquisa não foram suficientes para encontrar qualquer conexão entre estes campos e os sintomas dos pacientes.

"Chamar o problema de hipersensibilidade eletromagnética pressupõe que os campos eletromagnéticos sejam o problema", diz James Rubin, PhD, cientista e professor do departamento de medicina psicológica no Medicine at King's College, em Londres. "Mas na verdade, a ciência é bastante conclusiva sobre o que é ou não um campo eletromagnético."

Apesar disso, os sintomas são muito reais. De acordo com a World Health Organization, as queixas mais comuns são fadiga, cansaço, dificuldade de concentração, tontura, náusea, palpitação, problemas digestivos, vermelhidão na pele e sensação de ardência. Os pacientes alegam que a intensidade dos sintomas pode variar de irritante até debilitante e que são todos causados por campos eletromagnéticos.

Mas se fosse o caso, os cientistas não teriam dificuldade alguma em demonstrar a conexão entre os campos eletromagnéticos e os sintomas. Em vez disso, em condições controladas, os pacientes se mostram incapazes de dizer se estão na presença de tais campos.

"Há mais de 50 estudos realizados por diversas equipes de pesquisa de todo o mundo", diz Rubin, que também escreveu uma série de comentários mais profundos sobre o tema. "Durante os testes, os pacientes se sentem mal quando estão na presença de campos eletromagnéticos e quando não estão." 

Então, segundo ele, "parece que os sintomas são desencadeados quando o paciente pensa estar exposto a campos elétricos".

Este fenômeno é conhecido pelos cientistas como efeito 'nocebo' (sofrer de determinados sintomas reais devido simplesmente à percepção do paciente). Alguns estudos têm demonstrado que isso pode induzir sintomas em pessoas que acreditam estar na presença de uma conexão Wi-Fi (ainda que elas não estejam).

No entanto, isso não quer dizer que o problema seja puramente psicológico. Outros estudos têm demonstrado que alguns pacientes sentem os sintomas antes de aprenderem sobre os perigos do Wi-Fi. Então, embora o efeito 'nocebo' possa exacerbar o problema, certamente não o causa. 

Mas se os campos eletromagnéticos não são os culpados, quem é?

"Quando o assunto é eletrosensibilidade", aponta Rubin, "os problemas variam muito de pessoa para pessoa, mas a única pista que temos é a presença ocasional de campos eletromagnéticos". Rubin diz que a falta de uma síndrome distinta ou um conjunto definido de sintomas universais aponta para várias doenças. "Não há uma explicação simples até agora para o caso."

Estudos sugerem que uma a cada três pessoas que sofrem de eletrosensibilidade também tem alguma doença não diagnosticada que pode ser a responsável pelos sintomas, diz Rubin. Então, pessoas que pensam ser alérgicas ao Wi-Fi devem conversar com seu médico e fazer exames para saber se este é mesmo o problema. 

Além disso, dois terços dos pacientes que sofrem deste problema possuem sintomas inexplicáveis. Pode se tratar de um efeito 'nocebo' ou de alguma "alergia" ambiental. Essas pessoas podem até mesmo estar sofrendo de uma doença ainda não descoberta. Na maioria dos casos, o tratamento é incerto. Há pouquíssimos estudos falando sobre um possível tratamento para estes pacientes. 

O que se sabe é que a solução óbvia, que seria limitar a exposição a roteadores, Wi-Fi, micro-ondas e outros aparelhos, não funciona. Às vezes, simplesmente acreditar que a exposição foi reduzida traz algum alívio, mas apenas através do efeito placebo. O problema é que isso não trata a condição subjacente, o que significa que os sintomas podem persistir ou reaparecer. A terapia cognitiva-comportamental, uma espécie de tratamento que envolve conversar sobre os sintomas com um profissional de saúde, pode ter um efeito positivo, mas ainda há poucos estudos comprovando isso.

Uma coisa é certa: muitas pesquisas ainda são necessárias até os cientistas esclarecerem o assunto. Embora a crença de que os campos eletromagnéticos sejam os culpados pelo problema de Jenny não seja fundamentada pela ciência, as dores de cabeça, fadiga e problemas de bexiga que a jovem sentia não eram imaginários. "Os sintomas relatados pelos pacientes são definitivamente reais. Não se questiona a veracidade dos sintomas quando se fala desta condição."

Christie Wilcox




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